Especializações interessantes para os profissionais da área de teste de software

32ª Mesa Redonda foi sobre “Especializações interessantes para os profissionais da área de teste de software” e teve apenas 2 respostas e 3 participantes, sendo eles: eu, Elias Nogueira e Lidiane Santos.

Como a discussão foi curta, abaixo segue praticamente a íntegra das contribuições feitas pelo Elias e pela Lidiane e também alguns comentários meus.

O Elias abordou vários pontos relevantes, entre eles o insight de que uma especialização na área de Teste de Software, não precisa ser necessariamente na área. Pode parecer estranho, mas é verdade:

Acredito que a especialização em si na Área de Teste não é apenas sobre a área (ex: uma pós em Gestão de Qualidade ou Teste de Software), e sim mais sobre o negócio onde trabalhamos (SOA, Sistemas Distribuidos, Mobile, etc…)

Claro que esse meu pensamento é um pouco puxado para o lado técnico. 😛

Sempre acreditei que o profissional em teste é um dos mais completos, por causa da variedade de conhecimentos que ele precisa ter para desempenhar sua função (óbvio que dependendo do papel/nível do mesmo). Logo, penso que a carreira de um profissional de teste é cheia de conhecimento “fora-teste” (análise de requisitos, programação, etc..)

Hoje, dentro da área acadêmica (Especialização, Pós, MBA) eu vejo quase que 100% formações de líderes, analistas de qualidade ou correlatos. É muito difícil encontrar algum curso acadêmico mais técnico em teste, ou que pelo menos ensine técnicas de teste, algumas ferramentas, etc…

Vejo que o profissional, se deseja algo mais técnico, tem que recorrer a uma destas áreas acadêmicas fora de teste ou recorrer a um mestrado para desenvolver algo diferente. É um ponto que as universidades estão amadurecendo, mas muito lentamente (se pensarmos o número de matérias de programação x número de matérias sobre qualidade e teste de software)

Eu fiz uma Pós em Teste de Software (onde vi toda a área de validação) na Unieuro, e recomendo. Apesar de eu já ter o conhecimento do que eu tive na pós, eu a procurei alguns motivos: ter outras visões do mesmo assunto e ter uma certa comprovação acadêmica. Hoje já recorro a cursos dentro da minha área de especialização que mais me interessam.

A minha dica é que na hora da escolha de uma especialização na área, em termos acadêmicos, que o profissional saiba qual linha ele quer/vai seguir, pois para a linha técnica não existe muita coisa.

Aproveito pra listar aqui algumas instituções acadêmicas ao redor do Brasil que possuem cursos voltados para a área de Teste e Qualidade de Software (sugestão de ficar como um thread separada depois)

– Unieuro (Brasília/DF) – MBA em Teste de Software (Pós Graduação) [não existe mais]

– Feevale (Novo Hamburgo/RS) – Teste e Garantia da Qualidade de Software (Pós Graduação)

– Unisinos (São Leopoldo/RS) – Qualidade de Processos de Software (Tecnológico)

– FIAP (São Paulo/SP) – MBA em Gestão da Qualidade em Software com ênfase em CMMi e MPS.BR (Pós Graduação) [não existe mais]

– SENAC (São Paulo/SP) – Gestão da Qualidade de Software (Pós Graduação)

 

 

 

UNICAMP – Especialização em Engenharia de Software

A Lidiane contou um pouco da sua experiência e lembrou que participar de eventos é uma forma de buscar se especializar e também de compreender melhor a área e a sua amplitude:

Realmente esse tema é muito importante e legal. Vejo muitas pessoas que estão na área de teste que não sabem que os profissionais dessa área podem ter uma carreira.

Em relação a especializações, existem muitos cursos legais de ferramentas, automação de testes, implementador MPT.BR, TMM. Vejo que há bastante cursos online e/ou semi-presencias, mas não são muito divulgados

Pós-Graduação, eu vejo que é muito interessante na area de Engenharia de Software, Qualidade de Software, é muito importante analisar a grade, pois tem algumas pós que não abordam muito o tema Teste SW.

Na Poli tem alguns cursos bem legais de especialização e extensão vejam no site www.pecepoli.com.br , temos a Iterasys com os cursos preparatórios para certificações, mesmo que vc não faça a prova, o curso acaba sendo muito legal e você consegue praticar algumas coisas no dia-a-dia.

Eu atualmente tento frequentar os eventos de teste como o Brateste, Conferencias – inclusive fui no TDC 2010 realizado em Agosto, WorkShops, estou sempre antenada nas novidades e visitando blogs relacioandos a Qualidade e Teste SW.

Por fim, termino agora em novembro o MBA em Teste de Software pela Unieuro, o curso é bom tirando algumas falhas da instuição em relação ao atendimento ADM e Financeiro… *rs

Eu achei super válidas as contribuições do Elias e da Lidiane, e retratam bem as formas que podemos nos especializar na área de Teste de Software.

Na minha opinião, a especialização hoje é encarada pelos profissionais, basicamente de duas formas:

  • O profissional gosta da área e quer se aprofundar melhor nela, ou está buscando cobrir lacunas da graduação e conhecer outras áreas (ex.: ao fazer uma pós em Engenharia de Software);
  • A outra forma, são os profissionais que estão buscando status e aumento. Afinal, é bunitinho falar que é pós-graduado e para algumas empresas, o título mostra que o profissional é mais qualificado que outro que não possui uma pós. Essa abordagem é perigosa, porque você pode acabar fazendo um curso que não gosta ou que o seu perfil não encaixea Além do que, essa visão de que ser pós-graduado é igual ser melhor do que os que não são, é uma visão alienada.

Eu particularmente, prefiro uma pós-graduação fora da área de Teste de Software, para quem está na área de Teste de Software. Caso o seu perfil seja mais gerencial, busque uma pós de gestão ou um MBA, agora caso o seu perfil seja mais técnico, busque então uma pós em Engenharia de Software.

Escolha bem o curso e não vá na “hype”, afinal uma pós-graduação, geralmente exige um investimento financeiro grande. Faça a sua escolha com bastante parcimônia. 😉

E lembrem-se: nem sempre se especializar, significa se matrícular num curso de pós-graduação, hoje em dia há outras opções.

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Meus pensamentos sobre pós-graduação

A escrita deste post tem duas motivações:

  1. Li semana passada o sample do livro The Personal MBA: Master the Art of Business do Josh Kaufman;
  2. A notícia de que a Unieuro foi reprovada na avaliação do MEC.

Já adianto, que não tenho nada contra o curso de pós-graduação da Unieuro em Teste de Software. E pelo feedback que tive de alguns amigos, me parece ser um curso, onde é possível extrair conhecimentos e experiências para o seu crescimento profissional.

Colocada as motivações do post e um breve aviso, é hora de explicar o porquê deste post:

O objetivo é simples, compartilhar a minha visão e posição atual sobre a possibilidade de fazer uma pós-graduação e também minha visão geral sobre uma pós. Lembrando que essa é uma visão bem particular e que acredito ser adequada para o meu perfil e para os meus objetivos a curto e médio prazo, portanto ela pode ser bem diferente da sua visão.

Contextualizando

Estive sentado numa carteira desde os meus 3 anos de idade até os meus 20 anos (hoje tenho 22). Portanto foram 17 anos navegando pela direção convencional dos estudos e aperfeiçoamento pessoal e profissional. E após tanto tempo, tantas escolas, colegas, professores, amigos e notas, me sinto muito à vontade em falar sobre educação, afinal passei das 10.000 mil horas e portanto, me considero um expert, como aluno.

Porém o título de expert como aluno, não é algo que se deva ficar se orgulhando tanto, para mim ele é muito mais próximo do “título” expert em saber andar, do que de um título de expert na arte de ensinar, por exemplo.

Após 2 anos sem frequentar regularmente uma carteira (terminei a faculdade em dezembro de 2008), deveria estar me pressionando para fazer uma pós-graduação. Até já pensei sobre o assunto, principalmente no primeiro semestre de 2009 e estava até planejando começar algo no início de 2010. No entanto, já estamos em 2011 e nem sequer me inscrevi em alguma pós-graduação.

Os motivos para a minha escolha

Essa escolha não foi feita de um dia para o outro, ou após um longo período de reflexão, ela foi feita dia-a-dia.

Ano passado, foi quando tive certeza que não é o momento de fazer uma pós-graduação. Os principais motivos para essa decisão foram:

  • Tempo: fazer uma pós-graduação consume muito tempo, e tenho que confessar que mesmo após ter terminada a faculdade não senti, um grande alívio na minha agenda, parece que naturalmente o tempo que era investido na faculdade, foi sendo consumido por outras coisas;
  • Dinheiro: uma das minhas opções de pós é o MBA na FGV e minha condição financeira iria ficar seriamente comprometida;
  • Maturidade: tanto para um MBA na FGV, como um mestrado na USP, não sinto que estou no momento de fazer, ou melhor, não sinto que irei contribuir o meu máximo para o curso, e que ele irá agregar tanto para a minha formação.

Acho que devo uma explicação para a minha última frase, afinal que louco falaria que um MBA na FGV ou um mestrado na USP não iria agregar tanto para a formação dele.

Então senhores(as), ambos iriam agregar muito, tanto para a minha formação, como para o meu networking (lembrando que o networking é um dos pontos mais importantes de qualquer instituição educacional, desde do primário). No entanto, para o meu contexto atual, há outras alternativas que se encaixam melhor, além do mais, o título e “status” que uma pós na FGV ou USP me daria, não é algo tão relevante para mim (mesmo sabendo que pode ser para uma empresa que for me contratar), eu me importo muito mais com a grade dos cursos e professores e a relevância dos assuntos para o meu contexto.

A minha escolha foi baseada na minha expertise como aluno e meu gosto por vários assuntos/áreas. Essa expertise me permite navegar sozinho pelos mares da informação, e com ela eu mesmo faço a minha grade, escolho os meus mestres e o mais importante, consigo corrigir a tempo a minha direção.

Para ilustrar um pouco disso, vamos considerar a área de Teste de Software. Por ela ainda ser recente no Brasil, não há nenhum curso que esteja maduro e atualizado o suficiente para o meu gosto. Além do mais, para quem está nessa área e está focando em obter conhecimento, acredito ser mais válido acompanhar blogs, listas de discussão, ler livros e participar de eventos (como até disse nesse outro post).

Agora sobre o meu interesse em vários assuntos/áreas, acredito ser um “mal” desde cedo, pois na escola mesmo eu gostava de várias matérias, ao nível de gostar tanto de Matemática como de Português (rs). Lógico que há o risco de se tornar um pato, mas eu não estudo todas as áreas de meu interesse ao mesmo tempo, muito pelo contrário, geralmente eu foco em uma por um bom tempo e em paralelo vou dando uma olhada em outras. Simplesmente, é impossível abraçar o mundo.

Minha escolha

Lendo o sample do livro The Personal MBA: Master the Art of Business (vou até comprar o livro em breve), percebi que a minha escolha não é tão incomum assim, o próprio autor também fez essa escolha e há anos atrás, e ele cita pessoas que fizeram essa escolha há décadas atrás!

Eu costumo até brincar, que esse tipo de livro/autor são má influências para mim, porém, vejo que eles foram pessoas iguais a mim, que tiveram as suas dúvidas sobre qual caminho escolher, e acabaram encontrando outras pessoas com visões parecidades e que ajudaram a trilhar o seu próprio caminho.

Ainda estou bem no início desse caminho, portanto não há nenhum resultado expressante para te conta e tentar te convencer que esse é O caminho. Aliás, acredito que o caminho do autodidata pode se encaixar para determinadas pessoas e para outras não, e não há nada de errado com isso. O importante é você escolher o seu caminho, e não deixar essa escolha para o seu chefe, pais, marido/esposa, etc.

O interessante de ser um autodidata é que a impressão que eu tinha, é que esse é um caminho solitário, afinal, muitas vezes você não tem com quem discutir sobre o assunto que você está aprendendo ou tirar uma dúvida. Porém, não é bem assim não, acabei conhecendo várias pessoas (boa parte conhecidos/amigos virtuais) e até o problema da falta de relacionamento com outras pessoas (networking), pode ser muito bem surprido, indo em eventos relacionados com as áreas de estudo.

Outro ponto bem interessante, é que como você está no comando do seu próprio barco, e desta maneira, o seu limite é até onde os seus olhos podem ver.

Além do mais, o acesso a informação está muito mais fácil e simplificado hoje em dia, eu por exemplo, consigo ter em um minuto o livro que achei interessante em minhas mãos, ou melhor, no Kindle. E sites como a Amazon, são verdadeiros oasis da informação e do bom consumismo.

Saindo um pouco do mundo dos livros, temos os blogs, que ainda são uma fonte muito rica e atualizada de informação. Na área de Teste de Software por exemplo, há excelentes profissionais escrevendo em seus blogs, tanto aqui no Brasil, como lá fora. Palestras também estão cada vez mais sendo compartilhadas em canais como o YouTube e Vimeo, e o investimento financeiro necessário é zero!

Por enquanto é isso, quando eu ler o livro, provavelmente terei mais opiniões e pensamentos para compartilhar, e este assunto voltará ao foco.

E você o que pensa sobre pós-graduações, você já fez alguma, está pensando em fazer ou está seguindo por outros caminhos?

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