Certificações de Teste de Software, por que ter uma?

Lá vou eu novamente falar sobre certificações, sinceramente, esse é um assunto que eu já estou cansado de comentar e ouvir falar.

Mas um post do James Bach me colocou na parede, por assim dizer. Pois eu obtive a CTFL e recomendo as pessoas prestarem, e um dos meus planos futuro é tirar a CTAL.

Porém, após a leitura do post do James Bach eu fiquei meio surpreso, mesmo já sendo de esperar tal mentalidade, por assim dizer, do ISTQB. Afinal, as propagandas que vinculam em revistas internacionais, já são bem ao estilo “venha ser da elite do Teste de Software”, o que é claro é BESTEIRA.

Mas o pior não é essa mentalidade elitizada do ISTQB, e sim a mentalidade dos profissionais que buscam uma certificação. Pois, muitos deles vão na onda, e acreditam que tirando a CXYZ irão ser de uma elite de profissionais e/ou serão experts em Teste de Software.

Hoje em dia eu dou risada, ao pensar e constatar que há pessoas pensando desta maneira, pois já fiquei bravo sobre isso, e  é melhor dá risada para não chorar. Afinal, é uma GRANDE ilusão pensar que ao obter o certificado CXYZ você será O cara, principalmente, em se tratando de certificações de nível básico (CBTS-ALATS, CTFL-ISTQB e CAST-QAI), onde você aprende apenas o básico de Teste de Software e está muito, mas MUITO longe do nível de um James Bach da vida.

A verdade é que certificações é um mercado bem lucrativo, e é por isso que há tantas instituições certificadoras, todos estão tentando tirar uma lasquinha do seu bolso, seja com os próprios gastos com o exame, ou com treinamentos. Mas se formos pensar bem, até a educação acabou virando um grande negócio, quantas UNIs estão aí vendendo canudos, com salas com quase 100 alunos e inaugurando novas unidades a rodo. Enquanto isso, quantas unidades Harvard tem? Uma, afinal o foco não é quantidade e lucro, e sim qualidade e formação de pessoas.

Nesta altura do post, você deve está achando que eu sou contra certificações, mas na verdade não sou não, e ainda está nos meus planos tirar a CTAL (aliás, o primeiro exame no Brasil deve ser esse ano e o Syllabus já foi traduzido). E dois são os motivos pelos quais eu investi meu tempo e dinheiro com a CBTS e CTFL e encorajo as pessoas a investirem também:

  • Conhecimento: ao se preparar para uma certificação acabamos obtendo muito conhecimento, principalmente quando estamos iniciando a nossa carreira. E hoje ainda é difícil a gente ver matérias dedicadas a Teste de Software na faculdade, e esse é um dos motivos pelo sucesso das instituições certificadoras no Brasil e porque tantas pessoas buscam obter certificações de nível básico;
  • Mercado brasileiro: é cada vez mais frequente você ver uma empresa exigindo ou colocando como desejável o profissional ter um certificado. E para os cargos de nível junior uma certificação pode ser um bom diferencial, pois mostra que aquele profissional teve dedicação e interesse em obter maiores conhecimentos sobre a área de atuação. Agora para os cargos de pleno e sênior uma certificação costuma ser uma exigência, mas já não representa um diferencial tão bom, pois o mais importante são as experiências, aliás, sempre as experiências são/deveriam ser o mais importante.

Em resumo ainda sou a favor das certificações, pois podemos aprender bastante durante os estudos e elas são uma requisição frequente do mercado brasileiro (que no geral, valoriza as certificações), ou seja, às vezes gostando ou não, precisamos dançar conforme a música.

Mas em relação a CTAL e a CSTE (também estou pensando nela), o motivo principal é o desafio, principalmente em relação a CSTE, que muitos profissionais que prestaram, consideraram bem difícil o processo de qualificação. Não é tanto pelo conhecimento, embora eu deva aprender algo novo durante a preparação, pois vocês já devem ter percebido que eu acompanho vários blogs sobre Teste de Software e aprendo muito com eles, além disso, muitos conhecimentos que realmente são importantes para mim atualmente, não são abordados em exame de Teste de Software, como por exemplo Teste Ágil.

Ou seja, provavelmente ainda irei dedicar um tempo e abastecer o bolso cheio das instituições certificadoras, mas não motivado para participar de uma elite ou coisa do tipo, e sim para obter conhecimentos e a título de desafio.

Mas hoje, com os conhecimentos básicos aprendidos com a CBTS e CTFL, sei me virar sozinho na obtenção e filtragem de informações de Teste de Software, e acabei descobrindo que há conhecimentos muito mais atuais e pertinentes para mim, em blogs, sites e livros do que em materiais de preparação para certificação. 😉

Essa é minha opinião e esses são os meus motivos pelos quais ainda acho válido buscar certificações de Teste de Software.

Por fim, gostaria de frisar que você caro(a) leitor(a) deve buscar a sua opinião sobre certificações, e reconhecer que não há uma verdade absoluta sobre o assunto, pois até as certificações dependem do contexto, vide o mundo de programação, onde as certificações são bem vistas e reconhecidas por boa parte dos desenvolvedores Java, já os desenvolvedores Ruby ignoram as certificações de Ruby.

Tenha os motivos e use as motivações certas ao se preparar para uma certificação. Lembrando-se que a preparação para ela é apenas uma das várias maneiras de se obter conhecimento na área de Teste de Software, e o conhecimento só tem valor quando colocado em prática e/ou compartilhado. 😉

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Rapid Software Testing: Visão Geral

Publiquei um artigo sobre Rapid Software Testing no TestExpert. Segue abaixo, o link:

http://www.testexpert.com.br/?q=node/1741

No artigo eu apresento uma visão geral sobre o Rapid Software Testing (“Teste de Software Rápido”), que é uma metodologia bem interessante de Teste de Software, com características da Escola Direcionada pelo Contexto (Context-Driven School).

Aproveitando para avisar que desde do mês passado, estou participando do TestExpert como colunista. 😀

Minha meta é de elaborar dois artigos por mês lá. Logo após a publicação deles, irei avisar aqui criando um post com o link e uma breve descrição do artigo (o primeiro artigo eu não divulguei aqui, pois era um conteúdo já conhecido por vocês leitores[as]).

De início eu não pretendo repetir conteúdo do QualidadeBR para o TestExpert, e vice-versa, pois ambos são conteúdos Creative Commons, portanto de acesso livre. 😉

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