Como testamos o Basix? – Contratação

Como comentei neste post, na minha opinião, a contratação de um profissional é um processo de suma importância, para ambos os lados.

Falando mais especificamente do projeto Basix, eu não posso explicar como foi desde o começo, pois entrei no projeto após mais de 3 anos do seu início. Então, nada melhor do que conversar com o Antonio, que gerencia o projeto desde o seu início, e até já fez um post relacionado ao assunto: O que vale mais conhecimento técnico, ou características pessoais?

Abaixo, segue a entrevista que fiz com o Antonio, focada no assunto contratação e especificamente da área de Teste e Qualidade de Software. Espero que gostem.

Fabrício: Antonio, antes de mais nada, em qual momento você percebeu que o projeto necessitava de uma área de Teste e Qualidade de Software?

Antonio: Percebemos isto desde a concepção do projeto, pois vínhamos de experiências em desenvolvimento de software sem uma área de qualidade, e já que estávamos começando um novo projeto não podíamos errar novamente da mesma forma.

Fabrício: E como foi o processo de contratação?

Antonio: Foi complicado, pois há 5 anos atrás era muito difícil convencer profissionais a trabalhar na área de qualidade de software, pois esta área não tinha a ênfase que tem hoje no Brasil, e as faculdades de TI não tinham disciplinas que ensinavam qualidade de software, no geral elas preparam os estudante para serem desenvolvedores.

Fabrício: A pessoa para atuar na área, necessita ter características específicas? Se sim, quais?

Antonio: Precisa sim Fabrício, aqui vou reproduzir o perfil que divulgamos no último processo seletivo que fizemos para a área de qualidade:

  • Conhecimentos técnicos
    • Boa base de informática;
    • Raciocínio lógico;
    • Capacidade de abstração;
    • Capacidade de análise de problemas;
    • Inglês técnico (quanto mais experiente melhor).
  • Funcionamento do grupo
    • O grupo de qualidade é um grupo que trabalha com atividades rotineiras, pois sempre que é liberado uma nova versão do software é necessário refazer todos os testes, necessário muita acuidade no trabalho, pois é o controle de qualidade do produto. É um grupo de generalistas, pois é necessário ter conhecimento de muitos componentes que constroem o produto.
  • Personalidade que ajudaria a desenvolver o grupo
    • Perfeccionismo;
    • Organização;
    • Crítico;
    • Pesquisador.
  • Características pessoais
    • Boa auto estima;
    • Extrovertido;
    • Bom relacionamento interpessoal;
    • Estar aberto a aprender;
    • Pró atividade;
    • Estar aberto a receber criticas.

Fabrício: Qual foi a maior dificuldade encontrada na contratação dos profissionais?

Antonio: Por ser uma área relativamente nova, foi bem difícil encontrar pessoas que queriam trabalhar na área de testes, a grande maioria queria desenvolver, então o processo de contratação também era um processo de convencimento, pois procuramos as pessoas que tinham as características ideais para trabalhar com qualidade, e muitos destes nós tivemos que convencer que era uma boa trabalhar na área de qualidade, e de qualquer forma tivemos muitos profissionais que depois de um tempo decidiram ir para o desenvolvimento, esta rotatividade foi uma dificuldade muito peculiar da área de qualidade.

Fabrício: Na sua opinião, até que ponto uma certificação ou especialização (ex. Pós-Graduação) ajuda o candidato durante o processo seletivo?

Antonio: Acredito que certificação ou cursos de especialização são sempre bem vindos, principalmente porque se um profissional decidiu  por conta própria estudar para conseguir um titulo deste isto no mínimo significa que a pessoa está interessada na área, e teve competência para obter o título, mas existe um outro lado para mim certificações e títulos não são de forma alguma os principais fatores para avaliar um bom profissional, pois existem profissionais excelentes que não tem nem a graduação completa.

Fabrício: Para fechar, de 2005 até hoje, a contração de profissionais para a área de Teste e Qualidade de Software ficou mais fácil? Ou ainda é difícil encontrar pessoas com o perfil e conhecimento para entrar na área?

Antonio: Com certeza o panorama do mercado da área de qualidade de software mudou completamente nestes últimos 4 anos, hoje já temos faculdades ministrando disciplinas voltadas para qualidade de software, existem comunidades de  que fomentam a área, e isto já reflete no mercado como um todo, hoje é muito mais fácil você achar pessoas que querem trabalhar com teste de software, e posso falar isto com tranqüilidade pois até o problema de rotatividade que tivemos diminuiu muito ao longo do tempo, hoje temos uma equipe de qualidade bem estável e onde todos realmente gostam de testar!!!

Muito obrigado Antonio pela entrevista. 😀

No próximo post da série, irei falar sobre a complexidade do projeto e o papel da área de Teste e Qualidade de Software. Até lá! 😉

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Precisa sim, Fabricio aqui vou reproduzir o perfil que divulgamos no ultimo processo seletivo que fizemos para a àrea de qualidade:

Conhecimentos técnicos:

Boa base de informática
Raciocinio lógico
Capacidade de abstração
Capacidade de análise de problemas
Inglês técnico (quanto mais experiente melhor)

Funcionamento do grupo:

O grupo de qualidade é um grupo que trabalha com atividades rotineiras, pois sempre que é liberado uma nova versão do software é necessário refazer todos os testes, necessário muita acuidade no trabalho pois é o controle de qualidade do produto, é um grupo de generalistas pois é necessário ter conhecimento de muitos componentes que constroem o produto.

Personalidade que ajudaria a desenvolver o grupo:

Perfeccionismo
Organização
Critíco
Pesquisador

Caracteristicas pessoais:

Boa auto estima
Extrovertido
Bom relacionamento interpessoal
Estar aberto a aprender
Pró atividade

Estar aberto a receber criticas

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Como testamos o Basix? – Introdução

Após mais de 100 posts escritos, chegou a hora de falar um pouco sobre algumas experiências que passei, de forma mais detalhada. 😀

E para começar nada melhor do que contar uma das mais interessantes e desafiadoras: o Basix (em japonês aqui).

Assistindo o vídeo abaixo, já dá para perceber um pouco, porque disse que é um desafio e também irá facilitar o entendimento do post 😉

Agora vamos analisar melhor o cenário e as características do projeto, com a visão de Teste de Software:

  • Em 2005 o mundo era diferente: o projeto teve início em 2005, e naquela época não tinhamos nenhum time de testes na empresa (eu nem trabalhava na Voice), além disso, na época Teste de Software não era tão comentado como é hoje, mal haviam publicações brasileiras sobre a área, para ter idéia nem o DFTestes existia;
  • É uma solução IP-Centrex: contratar pessoas para testar um sistema Web é uma coisa, agora contratar pessoas para testarem um PABX IP, utilizando SIP e num ambiente Linux, é algo muito mais complicado;
  • A complexidade do projeto é muito alta: como foi dito no vídeo “O Basix faz tudo que um PABX comum faz”, mas na verdade o Basix faz muito mais do que um PABX faz. Além das funcionalidades de call control, há um sistema Web, onde é possível realizar as configurações do sistema. Isso sem falar sobre a parte de alta disponibilidade e performance, essa merece um post exclusivo;
  • Se testar já é difícil, imagine gerenciar: gerenciar a área de testes não é uma missão fácil por vários motivos:
    • Prazos apertados;
    • Falta de conhecimento dos integrantes do time;
    • Versões em paralelo;
    • Versões com muitas funcionalidades e correções.
  • Ambiente de teste: o ambiente da produção possui equipamentos muito caros, que não são possíveis de ser adquiridos para o ambiente de teste, além disso, há diferenças entre a infra-estrutura dos dois sites (Brasil e Japão);
  • Automatização dos testes: automatizar os testes é a atitude ideal para as características do projeto, porém qual ferramenta eu posso utilizar para automatizar uma transferência cega com REFER, por exemplo?
  • O desenvolvimento do projeto é incremental: nada de testar só no final do projeto, o time de testes começa a trabalhar desde as primeiras reuniões de definições do escopo;
  • Alta qualidade: a Brastel, parceira e cliente, é uma empresa japonesa, e o fato de ter sido fundada por brasileiros, não alivia nem um pouco a expectativa e cobrança pela qualidade do Basix.

Por hoje é só pessoal. Contei por enquanto apenas os desafios, nos futuros posts irei falar como lidamos com eles, ou seja, a parte mais interessante. 🙂

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