Meus pensamentos sobre pós-graduação

A escrita deste post tem duas motivações:

  1. Li semana passada o sample do livro The Personal MBA: Master the Art of Business do Josh Kaufman;
  2. A notícia de que a Unieuro foi reprovada na avaliação do MEC.

Já adianto, que não tenho nada contra o curso de pós-graduação da Unieuro em Teste de Software. E pelo feedback que tive de alguns amigos, me parece ser um curso, onde é possível extrair conhecimentos e experiências para o seu crescimento profissional.

Colocada as motivações do post e um breve aviso, é hora de explicar o porquê deste post:

O objetivo é simples, compartilhar a minha visão e posição atual sobre a possibilidade de fazer uma pós-graduação e também minha visão geral sobre uma pós. Lembrando que essa é uma visão bem particular e que acredito ser adequada para o meu perfil e para os meus objetivos a curto e médio prazo, portanto ela pode ser bem diferente da sua visão.

Contextualizando

Estive sentado numa carteira desde os meus 3 anos de idade até os meus 20 anos (hoje tenho 22). Portanto foram 17 anos navegando pela direção convencional dos estudos e aperfeiçoamento pessoal e profissional. E após tanto tempo, tantas escolas, colegas, professores, amigos e notas, me sinto muito à vontade em falar sobre educação, afinal passei das 10.000 mil horas e portanto, me considero um expert, como aluno.

Porém o título de expert como aluno, não é algo que se deva ficar se orgulhando tanto, para mim ele é muito mais próximo do “título” expert em saber andar, do que de um título de expert na arte de ensinar, por exemplo.

Após 2 anos sem frequentar regularmente uma carteira (terminei a faculdade em dezembro de 2008), deveria estar me pressionando para fazer uma pós-graduação. Até já pensei sobre o assunto, principalmente no primeiro semestre de 2009 e estava até planejando começar algo no início de 2010. No entanto, já estamos em 2011 e nem sequer me inscrevi em alguma pós-graduação.

Os motivos para a minha escolha

Essa escolha não foi feita de um dia para o outro, ou após um longo período de reflexão, ela foi feita dia-a-dia.

Ano passado, foi quando tive certeza que não é o momento de fazer uma pós-graduação. Os principais motivos para essa decisão foram:

  • Tempo: fazer uma pós-graduação consume muito tempo, e tenho que confessar que mesmo após ter terminada a faculdade não senti, um grande alívio na minha agenda, parece que naturalmente o tempo que era investido na faculdade, foi sendo consumido por outras coisas;
  • Dinheiro: uma das minhas opções de pós é o MBA na FGV e minha condição financeira iria ficar seriamente comprometida;
  • Maturidade: tanto para um MBA na FGV, como um mestrado na USP, não sinto que estou no momento de fazer, ou melhor, não sinto que irei contribuir o meu máximo para o curso, e que ele irá agregar tanto para a minha formação.

Acho que devo uma explicação para a minha última frase, afinal que louco falaria que um MBA na FGV ou um mestrado na USP não iria agregar tanto para a formação dele.

Então senhores(as), ambos iriam agregar muito, tanto para a minha formação, como para o meu networking (lembrando que o networking é um dos pontos mais importantes de qualquer instituição educacional, desde do primário). No entanto, para o meu contexto atual, há outras alternativas que se encaixam melhor, além do mais, o título e “status” que uma pós na FGV ou USP me daria, não é algo tão relevante para mim (mesmo sabendo que pode ser para uma empresa que for me contratar), eu me importo muito mais com a grade dos cursos e professores e a relevância dos assuntos para o meu contexto.

A minha escolha foi baseada na minha expertise como aluno e meu gosto por vários assuntos/áreas. Essa expertise me permite navegar sozinho pelos mares da informação, e com ela eu mesmo faço a minha grade, escolho os meus mestres e o mais importante, consigo corrigir a tempo a minha direção.

Para ilustrar um pouco disso, vamos considerar a área de Teste de Software. Por ela ainda ser recente no Brasil, não há nenhum curso que esteja maduro e atualizado o suficiente para o meu gosto. Além do mais, para quem está nessa área e está focando em obter conhecimento, acredito ser mais válido acompanhar blogs, listas de discussão, ler livros e participar de eventos (como até disse nesse outro post).

Agora sobre o meu interesse em vários assuntos/áreas, acredito ser um “mal” desde cedo, pois na escola mesmo eu gostava de várias matérias, ao nível de gostar tanto de Matemática como de Português (rs). Lógico que há o risco de se tornar um pato, mas eu não estudo todas as áreas de meu interesse ao mesmo tempo, muito pelo contrário, geralmente eu foco em uma por um bom tempo e em paralelo vou dando uma olhada em outras. Simplesmente, é impossível abraçar o mundo.

Minha escolha

Lendo o sample do livro The Personal MBA: Master the Art of Business (vou até comprar o livro em breve), percebi que a minha escolha não é tão incomum assim, o próprio autor também fez essa escolha e há anos atrás, e ele cita pessoas que fizeram essa escolha há décadas atrás!

Eu costumo até brincar, que esse tipo de livro/autor são má influências para mim, porém, vejo que eles foram pessoas iguais a mim, que tiveram as suas dúvidas sobre qual caminho escolher, e acabaram encontrando outras pessoas com visões parecidades e que ajudaram a trilhar o seu próprio caminho.

Ainda estou bem no início desse caminho, portanto não há nenhum resultado expressante para te conta e tentar te convencer que esse é O caminho. Aliás, acredito que o caminho do autodidata pode se encaixar para determinadas pessoas e para outras não, e não há nada de errado com isso. O importante é você escolher o seu caminho, e não deixar essa escolha para o seu chefe, pais, marido/esposa, etc.

O interessante de ser um autodidata é que a impressão que eu tinha, é que esse é um caminho solitário, afinal, muitas vezes você não tem com quem discutir sobre o assunto que você está aprendendo ou tirar uma dúvida. Porém, não é bem assim não, acabei conhecendo várias pessoas (boa parte conhecidos/amigos virtuais) e até o problema da falta de relacionamento com outras pessoas (networking), pode ser muito bem surprido, indo em eventos relacionados com as áreas de estudo.

Outro ponto bem interessante, é que como você está no comando do seu próprio barco, e desta maneira, o seu limite é até onde os seus olhos podem ver.

Além do mais, o acesso a informação está muito mais fácil e simplificado hoje em dia, eu por exemplo, consigo ter em um minuto o livro que achei interessante em minhas mãos, ou melhor, no Kindle. E sites como a Amazon, são verdadeiros oasis da informação e do bom consumismo.

Saindo um pouco do mundo dos livros, temos os blogs, que ainda são uma fonte muito rica e atualizada de informação. Na área de Teste de Software por exemplo, há excelentes profissionais escrevendo em seus blogs, tanto aqui no Brasil, como lá fora. Palestras também estão cada vez mais sendo compartilhadas em canais como o YouTube e Vimeo, e o investimento financeiro necessário é zero!

Por enquanto é isso, quando eu ler o livro, provavelmente terei mais opiniões e pensamentos para compartilhar, e este assunto voltará ao foco.

E você o que pensa sobre pós-graduações, você já fez alguma, está pensando em fazer ou está seguindo por outros caminhos?

Fique por dentro das novidades, assine o feed do QualidadeBR.

5 comentários sobre “Meus pensamentos sobre pós-graduação

  1. Fabricio,

    A Campus Party é FODA, mexe demais conosco. É do caralho mesmo, mas mesmo antes dela, eu já tinha uma visão específica sobre pós-graduação, certificação e outros cursos. (talvez isso vire um posto meu hehehe).

    Eu não acredito na Pós-Graduação como mais um tópico de currículo, um adendo para ser um profissional melhor. Não quero apenas ser um profissional melhor, quer ser O Profissional e se possível dono do meu nariz.

    Então entendo que uma Pós ou Mestrado servem apenas para agregar CONHECIMENTO e que se não for por isso não tem necessidade de fazê-lo. Para ganhar mais, mude de emprego, estude mais e faça melhor, nãopor ter mais uma pós.

    Sou engenheiro eletricista, fiz uma Pós concluída em Pedagogia do Ensino Superior, com intuito de dar aula, claro e objetivo, aprendi mais do que isso, aprendi nessa pós que dar aula é um DOM, é BOM, e exige respeito com a profissão e principalmente com os aluno. Aprendi muito mais e criei um novo circulo de amizades, BEM DIFERENTE DA ENGENHARIA.

    Curso agora uma pseudo-pós uma vez que não terei o diploma por motivos diversos, mas atende meu objetivo principal, APRENDER, gerar o CONHECIMENTO, o que faço dia a dia, lendo sobre o assunto, estudando e questionando quem sabe um pouco, sem medo do não.

    Um outro tema que já pensei em fazer são as qualificações/certificações em tecnologias diversas. Respeito quem as faça e realmente precisamos que alguém as faça, porém EU não quero me deter a um tipo de tecnologia, não quero me aprofundar em uma linguagem de programação ou linha de gerenciamento de projetos. Mas não impede que eu os estude, para aprender e tentar tirar o que há de melhor nisso.

    Vc disse que estudar não requer investimento para você e acho isso um GRANDE engano, podenão ser direto como em uma matricula/mensalidade, porém é GIGANTESCO lembrando que você precisa de um computador e comprou um, precisa de livors e os compra, precisa do Kindle e compra, precisa de internet e paga, precisa de transporte para ir em eventos e paga, precisa se inscrever em eventos e paga, precisa dedicar tempo e deixa de ganhar dinheiro trabalhando para fazê-los. Isso não seria um custo? Eu acho que SIM e MUITO BEM EMPREGADO.

    Curti muito a Campus Party, pois conheci no mínimo 20 campuseiros com quem manterei contato, do Brasil e de fora, apresentei projetos ao menos a 40 vezes e não só o Que-Fala! apresentei projetos de Fax Server da Voice, de Call Center descentralizado, de robótica, sonhos e idéias. E pude aprimorar alguns conceitos, me relacionando com GENTE QUE QUER DISTRIBUIR O CONHECIMENTO.

    Acho mesmo que para estudar um Pós tem que GOSTAR do que se fala e não fazer por fazer. E acho correto e muito maduro de sua parte não fazer por fazer, para incrementar curriculo.

    Belo Post, está de parabéns.

    Abraços,

    Daniel

    Responder
  2. Olá Daniel!

    Caraca, muito bom o seu comentário!

    Vou começar pela parte que não é verdade. O caminho que escolhi não é sem custos, só disse que obter conhecimento em blogs, sites, vídeos online, etc não exigem que você abra a sua carteira, apenas a sua cabeça.

    E algo que demorei para colocar em prática (mas já sabia), é que não vale a pena você economizar com educação. Se você quer realmente fazer uma pós na FGV que custa 20 pilhas e não vai fazer só porque não tem dinheiro, se virar meu irmão/irmã, dá os seus corres!

    A Campus Party ajudou sim a refletir melhor sobre o assunto, pois foi uma oportunidade de ouvir e conhecer pessoas de outras áreas e que admiro (o Tiago Leifert por exemplo, é O cara no melhor sentido da expressão).

    Não acho que uma pós serve apenas para agregar CONHECIMENTO, digo isso pela faculdade. Sem dúvidas ela agregou MUITO CONHECIMENTO para mim, principalmente por ter entrado nela sem saber nada da área. Porém, aprendi MUITO mais do que estava na grade, tanto nas conversas com os meus colegas, amigos e professores, como tentando entender a “política” da faculdade.

    Sem dúvidas para fazer qualquer coisa, principalmente algo que irá durar um tempo, você tem que GOSTAR do que irá fazer, FAZER por FAZER é perda de tempo.

    Obrigado Daniel pelo comentário! E mais uma vez parabéns pelos esforços no QUE-FALA, ele já está dando o que falar hehe

    Responder
  3. Falae cara, blz?

    Me graduei em junho/2008 e entrei no MBA em 09/2009, na FIAP, no curso de Gestão da QA em SW com ênfase em CMMI e MPS.BR. Não me arrependo da grana gasta e a cada dia acredito ter feito um ótimo investimento.

    Com o curso, consegui brigar por um salário maior e em menos de 6 meses arrumei 2 novos empregos, sem com melhores salários. Outro ponto fundamento foram os professores.

    Tive aulas com alguns caras formidáveis, como é o caso do Profº Ivanir Costa, quase 40 anos de atuação no mercado de TI brasileiro, José Papo, mestre ALM do Brasil e agora na Microsoft, além de Adriano Neves, ou guru do Itil, Cobit e governança! Sem contar Nilson Salvetti, Ricardo Tardelli, Sara Kohan.

    Só a experiência que estes caras me passaram, já valeu pelo investimento.

    Se você tiver a chance, faça uma Pós/MBA, você entra em um outro mundo, totalmente diferente da faculdade!

    abraços

    Responder
    • Olá Mario!

      Td bem. E vc?

      Obrigado por compartilhar a sua experiência. Que bom que para você a pós-graduação valeu a pena. Aliás, a FIAP tem cursos muito bons em pós graduação.

      Como disse no post, a minha escolha não é porque eu acho que uma pós-graduação é um caminho ruim, e sim que não é o caminho que eu escolhi para trilhar a curto prazo.

      Abraços!

  4. Pingback: Especializações interessantes para os profissionais da área de teste de software « QualidadeBR

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s