Cobertura CInTeQ 2010 – Dia 2 (parte 2)

Chegamos as últimas palestras do segundo dia do CInTeQ 2010, um dos principais eventos de Teste e Qualidade de Software, patrocinado nesta edição por Microsoft, RSI, Iterasys, IBM, Governo do Brasil e Caixa Econômica Federal e com o apoio do BSTQB.

Quem quiser saber como foram as outras palestras, é só acessar os links abaixo:

Novamente, antes de começar a falar sobre as palestras, tenho que registrar as ações de um sr. que invadiu o evento, durante a intervenção.

O indivíduo trajava um jaleco branco e um nariz vermelho, e se auto denominava, Dr. Raviolli Bem-te-vi e apresentou uma palestra sobre o CInTeCC-Congresso Intergaláctico em Testes de Coisas Clowns. Durante a apresentação ele também falou sobre o PQP (Programa de Qualidade da Palhaçada) e agitou a plateia com novas neuróbicas.

Brincadeiras a parte, tenho que dizer que o Felipe Mello, que dentre as várias facetas, é o Dr. Raviolli Bem-te-vi, fez um excelente trabalho no CInTeQ, tanto nas introduções das palestras quanto nas introduções. Aliás, essas intervenções realmente funcionaram, ninguém depois do almoço estava com aquela famosa sonolência.

Naysawn Naderi – Dia-a-dia do testador usando a solução de testes Microsoft

A Naysawn Naderi foi focada na apresentação do Visual Studio Test Professional 2010 (VSTP), que será lançado mundialmente em 12 de abril, mas antes de falar sobre o ele fez alguns comentários sobre falhas que ocorram no F-22 e Toyota Prius.

Depois foi apresentado um vídeo bem engraçado da Microsoft, onde foi desenvolvida uma cadeira de tortura, que era acionada pelo cliente sempre que ele encontrava alguma falha no sistema, e desta maneira o desenvolvedor sofria algum “ataque” da cadeira (teve um que foi “ejetado” para fora do escritório rs). Sorte que era apenas um vídeo de brincadeira, pois se a ideia fosse colocada em prática muitos desenvolvedores estariam no hospital ou a sete palmos do chão.

Depois o Marcos Mion, que dizer, o Naysawn Naderi falou que há desafios que fazem com que o desenvolvimento de um produto com qualidade não seja fácil, citando:

  • Desenvolvedores e testadores trabalhando em locais diferentes;
  • A dificuldade em entender o status do projeto;
  • A complexidade da aplicação tem aumentado.

Começando a falar sobre o VSTP, o Naysawn disse que Microsoft fez muitas pesquisas, e notou que sempre há novas ferramentas, menos os testadores. Alguns dados levantadores pela Microsoft foram:

  • Houve poucas inovações no mercado de ferramentas para o Teste de Software;
  • O Excel ainda é o software mais usado pelos testadores;
  • 70% dos testes que ocorrem ainda são feitos de forma manual.

Percebendo que o mercado de ferramentas para Teste de Software, ainda precisava ser melhor explorado, a Microsoft criou o Visual Studio Test Professional 2010, que oferece um conjunto de ferramentas de teste que integra um completo fluxo de trabalho de planejamento-teste-análise. Além de armazenar bugs com diagnósticos e informações detalhadas do ambiente para os desenvolvedores (informações retiradas do folder da Microsoft, recebido no evento).

O Naysawn fez demonstrações ao vivo do VSTP, criando casos de testes para uma calculadora e reportando falhas.

Algumas características do VSTP:

  • Gerencia casos de testes;
  • Permite gravações de testes (record-play);
  • Gerenciamento de configuração dos ambientes;
  • Não tem suporte para aplicações Java e SAP;
  • Não suporta o IE6;
  • Integração com o Team Foundation Server, que é um “hub” de colaboração, melhorando assim a comunicação da equipe.

Impressões da palestra

O Naysawn é um bom palestrante, conseguiu passar bem as informações da palestra. O único problema foi ao responder alguns perguntas sobre a estratégia de negócio da Microsoft com o VSTP, já que ele é desenvolvedor e tinha informações sobre isso.

A respeito do VSTP em si, eu achei ele bem legal, ele é bem completo para testes funcionais, ou seja, atende a maioria das equipes de Teste de Software.

Antonio Coutinho – Gestão de Conhecimento de Teste

O Antonio Coutinho, Superintende da área de Processos e Gestão de Mudanças – Certificação de Implantações do Grupo Santander Brasil, palestrou sobre “Gestão de Conhecimento de Teste”. Iniciou falando sobre o Grupo Santander e depois apresentou o modelo de atuação em testes funcionais adotado por eles.

Esse modelo é full outsourcing, e busca eficiência e produtividade. A sua implantação já obteve resultados como por exemplo, a diminuição dos custos em infra-estrutura e aumento da qualidade.

Durante os projetos percebeu-se que o conhecimento estava dentro das cabeças das pessoas, ou seja, se determinada pessoa sair do projeto, o conhecimento também irá embora com ela. Então o grande desafio era torna esse conhecimento explícito.

E para enfrentar esse desafio a gestão de conhecimento se fez necessária.

A estratégia foi transforma bens intelectuais da organização, informações registradas e o talento dos seus membros em maior produtividade, novos valores e aumento de competitividade.

O Antonio também falou sobre algumas características do processo utilizado no Santander e mudanças ocorridas:

  • Eles possuem uma metodologia padrão de desenvolvimento de software no mundo todo: desenho funcional -> desenho técnico -> codificação -> testes unitários -> certificação -> implantação;
  • Mudança do modelo de cascata para o modelo V;
  • Começam fazendo um smoke test;
  • Nos ciclos de certificação eles executam 100% dos testes acordados;
  • Depois reportam os resultados finais e geram o book de evidências;
  • Há a reunião Go-No-Go, onde todos os envolvidos se reúnem para definir se a versão irá ou não para a produção;
  • Mesmo com os testes incidentes em produção ocorrem;
  • Os valores eram acertados de acordo com a quantidade de casos de testes executados;
  • Todo script passa por um crivo de aprovação;
  • Há três papéis principais: processo de gestão de mudanças, modelador dos casos de teste, executores dos casos de testes e ainda há uma quarto tipo, que são células de teste que são especialistas em sistemas específicos;
  • Com iniciativas de gestão de conhecimento a dependência por profissionais chaves diminuiu.

Depois saindo um pouco do processo, o Antonio falou sobre as ferramentas que auxiliam esse processo. Mostrando algumas telas e explicando algumas atividades realizadas com o apoio dessas ferramentas, principalmente em atividades de monitoração.

Por fim o Antonio sobre iniciativas de desenvolvimento e integração das pessoas, pois ele acredita que não basta ferramentas e processos é preciso investir em pessoas. E essas iniciativas se concentravam em duas frentes, para que o turnover seja menor e os objetivos das pessoas estejam de acordo com os da empresa:

  • Desenvolvimento de carreira;
  • Inspiração das pessoas.

Impressões da palestra

O Antonio passou informações sobre o Grupo Santander, que não estavam relacionadas com o tema da apresentação. Foi interessante ver a visão de uma empresa que consome serviços de outsourcing de testes, neste cenário sem dúvidas a gestão do conhecimento tem uma papel muito importante para ambos os lados, aliás, a gestão de conhecimento é muito importante para qualquer empresa de TI, afinal a informação é o maior capital que essas empresas podem ter.

Uma gestão de conhecimento efetiva só foi possível, com a alteração do processo e armazenamento do testware em um local de fácil acesso e seguro.

Dorothy Graham – Cognitive Illusions in Development and Testing

Antes de falar sobre a palestra, um parênteses sobre o tempo de Teste de Software que a Dorothy Graham tem.

Quando fui ver informações sobre ela na página do CInTeQ, me impressionei com o seguinte trecho “Dorothy Graham trabalha em teste de software há mais de 30 anos”, isso mesmo mais de 30 anos! Aí fui ver no LinkedIn, e comprovei que ela trabalha desde 1979 com Teste de Software, ou seja, a experiência dela com Teste de Software é igual ao “surgimento” da nossa área, que por muitos é considerado com o lançamento do livro “The Art of Software Testing” de Glenford Myers em 1979.

A Dorothy falou que a apresentação não seria técnica e começou apresentando algumas ilusões de óticas, para mostra como os nossos olhos podem nos enganar.

Falando sobre o subconsciente e o consciente a Dorothy lembrou que o subconsciente ajuda o consciente e é no consciente que você sente a dor. Além disso, você não percebe tudo sempre, portanto a percepção é muito importante e precisamos saber que o subconsciente é a interface que te faz sentir o mundo a sua volta.

A Dorothy explicou a diferença entre revisão e inspeção, onde a revisão costuma ser algo mais “insano”, pois estamos preocupados em revisar o todo, e no começo tudo bem, mas depois ficamos cansados e a qualidade da revisão cai, justamente porque a nossa percepção diminui.

Agora quando você faz uma inspeção você seleciona os principais documentos e os pontos mais importantes de cada documento. Desta maneira você, geralmente, acha menos defeitos, porém é capaz de encontrar mais problemas críticos, e quando você soluciona um problema crítico, é capaz de solucionar outros problemas que estavam associados a eles ou de lembrar deles e consertar depois.

E ao encontra os defeitos, você vai criando um checklist, e assim você alcança melhoria no processo, pois na próxima vez que for feita uma inspeção, poderemos usar o checklist criado.

Após falar sobre revisão X inspeção, a palestrante iniciou o tema complexidade, dizendo que a simplicidade é vista algumas vezes como alguma coisa ruim (se isso é tão simples, provavelmente não é bom). Porém, manter a simplicidade é algo complexo de se fazer.🙂

A Dorothy ainda contou a boa história sobre a caneta de “1 bilhão” criada pela NASA e o lápis usado pelos russos, na verdade ela descobriu depois que o lápis dos russos não era qualquer lápis, ele era quase igual a um giz de cera, pois o grafite poderia danificar alguns equipamentos.

Outra boa história contada foi sobre a importância de ter um histórico de falhas (mas não só armazenar), onde a Dorothy disse que ela foi em uma empresa que tinha feito todas revisões pós-projeto e lições aprendidas, ela achou isso incrível, porém lendo as lições aprendidas, ela percebeu que elas se repetiram, ou seja, não eram lições aprendidas e sim lições listadas!

A Dorothy também falou um pouco sobre métricas, dizendo que 80% das métricas falham e muitas organizações não usam muitas métricas. Mas como disse Tom DeMarco “você não pode controlar o que não pode medir”, mas como questionou a Dorothy, se você não medir, ninguém vai te culpar?

E falando em culpa a Dorothy disse que culpar faz parte da natureza humana, adoramos pega rum consultor e jogar todas as culpas nele (rs).

Mas é errado cometer um erro?

Na verdade, se você não permite as pessoas errarem elas não serão tão boas, e irão esconder os erros.

É importante expor os erros, pois assim todos aprendem. Lembre-se que o oposto da culpa é uma cultura do aprendizado.

Mais uma história interessante contada pela Dorothy foi sobre um diretor que disse que se após 6 meses da contratação, o funcionário não cometer nenhum erro, ele demite ele.

Encerrando sobre o tema “culpa” a Dorothy disse que errar é humano, perdoar é divino, mas culpar é muito mais fácil que perdoar.

Ainda foram citadas algumas outras ilusões do nosso dia-a-dia, que mostra como interpretamos errado a realidade e às vezes fazemos questão de não encarar os problemas:

  • Riscos: pensar em risco não faz ele acontecer, e sim torna você mais preparado para a ocorrência dele;
  • Automação de testes: apenas comprar a “ferramenta certa”, que podemos demitir os testers;
  • Agile: não precisamos de modelagem, processo, teste, documentação, se é ágil não pode falhar de maneira alguma.

Precisamos analisar as causas e efeitos das ilusões cognitivas, pois somos capazes de nos decepcionar, se não enfrentamos os fatos.

Eu e a Dorothy Graham (Foto tirada pelo Mário Pravato Junior)

Por que nós mesmos nos enganamos?

A ansiedade é a causa para muitos fatores:

  • Medo, preocupação, insegurança, incerteza
  • Percepção é seletiva;
  • Pressão de grupo (ex.: nós conseguimos chegar no deadline, se alguém fala que não, essa pessoa não é vista com bons olhos).

A Dorothy falou sobre as preocupações que podemos ter no nosso trabalho:

  • Desenvolvedores
    • Fiz um bom trabalho?
    • Vou para outro projeto?
  • Gerentes
    • Alcançaremos o prazo.
  • Testadores
    • Encontramos muitos bugs?

Os testadores são responsáveis por levantar a ansiedade dos desenvolvedores e gerentes, uma vez que ao encontrar falhar, o prazo pode ser impacto e o trabalho do desenvolvedor é colocado em  “cheque”.

Há vários fatores que podem causar ansiedade nos testadores, como por exemplo:

  • Vamos encontrar todos os bugs?
  • Quanto tempo de testes é necessário? (a resposta: depende)
  • Será que testamos tudo? (não!)
  • Não temos temos para fazer um trabalho melhor;
  • Porque eu preciso lutar com os desenvolvedores?
  • Será que vou ter um bom reconhecimento?
  • Eu me sinto cupado pelos bugs que não foram encontrados.

Alguns pontos interessantes e até engraçados levantadores pela Dorothy:

  • Queremos ser amigos dos desenvolvedores;
  • Nunca é o bastante (a gente nunca termina os nossos testes);
  • Se o sistema é bom os desenvolvedores ganham os créditos;
  • Se há muitos bugs a culpa é dos testadores;
  • Se você não encontrar defeitos você não está fazendo um bom trabalho;
  • Se você acha muitos defeitos você irá atrasar o projeto;
  • Se você atrasar o projeto você não está fazendo um bom trabalho;
  • Então se você faz um bom trabalho, você não está fazendo um bom trabalho :s (tá vendo como a nossa vida é fácil! rsrs)

E o resultado disso tudo é que há pessoas que incentivam os testadores a não reportarem os bugs.

A Dorothy ainda disse que temos habilidade de nos decepcionar, e é importante reconhecer e entender as razões por trás disso. O que podemo fazer a respeito das outras pessoas? Podemos tentar conversar com ela, mas sempre com cautela.

Por fim a Dorothy resumiu em cinco palavras o que era queria passar com a palestra: Don’t believe everything you think! (não acredite em tudo que você pensa)

Impressões da palestra

Sensacional a palestra da Dorothy!

Ela conseguiu fazer a gente refletir sobre assuntos a partir de outras perpectivas, às vezes, somos tão técnicos que acabamos agindo mais como um robô, do que como um ser humano, e o pior, entendemos mais sobre máquinas, do que sobre pessoas.

As lições e visões trazidas pela Dorothy, sem dúvidas fez o público abrir mais a mente para problemas e situações que são comuns no nosso dia-a-dia, e que encaramos com insanidade (Albert Einstein: “Insanidade: fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes”).

Após a palestra da Dorothy ainda teve o sorteio de um notebook Sony Vaio (que eu não ganhei…), por um dos patrocinadores do CInTeQ a Microsoft.

Bem é isso pessoal, sobre as palestras encerro aqui. Ainda vou fazer um post de conclusão do CInTeQ, mais um balanço do que ocorreu de bom e ruim no CInTeQ. Até lá! E nós vemos no CInTeQ 2011!!! (será nos dias 28 e 29 de março de 2011!)

Saiba mais

O Luiz Gustavo do TESTAVO[1] e o Mário Pravato do Zarro Boogs found[2] também escreveram sobre o CInTeQ, abaixo segue os links para o blog de cada um (recomendo!):

[1] http://testavo.blogspot.com/

[2] http://zarroboogsfound.blogspot.com/

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Fonte Imagem

Pintura 3D na rua

http://img167.imageshack.us/img167/2441/61536460po5.jpg

3 comentários sobre “Cobertura CInTeQ 2010 – Dia 2 (parte 2)

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