Para que testar?

Antes de trabalhar com Teste de Software, eu nem sabia que existia essa área, e acredito que mesmo com o crescimento que a nossa área teve nos últimos anos, ainda há muitas pessoas que não devem ter conhecimento que uma das áreas necessária para o desenvolvimento de um software é a de Teste de Software. E falo isso, principalmente pensando nos jovens que estão se formando nas faculdades, pois eu mesmo não tive uma matéria sobre Teste de Software na faculdade e muito menos praticava TDD nas muitas aulas que tive de programação, passando desde Pascal até Java. E olha que não faz tanto assim que me formei, para ser mais preciso irá completar 1 ano no final de dezembro desse ano.

Vários outros amigos meus, que estudaram em outras faculdades não tiveram tal matéria na grade do curso. Costumo até brincar com o pessoal falando que na faculdade eu só aprendi o que é teste de caixa branca e caixa preta, e foi isso mesmo. Não me disseram que existia uma área que poderia ser responsável pelos testes, quando é necessário testar, como testar, como escrever um caso de teste, como realizar o planejamento, quais técnicas posso usar, e tantas outras dúvidas que tive quando iniciei na área.

E com certeza, essa pergunta “Para que testar?” pode gerar muitas respostas diferentes, dependendo do ponto de vista e do conhecimento da pessoa. E uma das formas de responder essa pergunta, eu usei aqui nesta apresentação. Mas desta vez vou usar uma outra abordagem para falar sobre o assunto, trazendo algumas questões que ajudam a explicar a razão pela qual é necessário testar um software.

Se o software compilou ele está funcionando, então pronto!?

Esse pode ser o pensamento de muitas pessoas, principalmente, daqueles estudantes que nunca ouviram falar em Teste de Software. A compilação de um programa até pode ser vista como a realização de um teste de caixa branca, afinal o compilador irá verificar se não há nenhum erro no código, por exemplo sintaxe, que impeça dele ser compilado.

Mas a compilação por si só não garante que o software esteja funcionando.

Como assim?

No mundo dos projetos de desenvolvimento de software há o famoso escopo, que especifica o que o sistema deverá fazer e o que o mesmo não deverá. E é esse documento que será o referencial do cliente quanto ao seu sistema, se ao entregar o software, algum item do escopo não tiver sido implementado, “coisas horríveis irão acontecer”.

E um dos objetivos do Teste de Software é justamente verificar se tudo que está especificado no escopo foi implementado. Tanto que ele é um dos documentos usados pelo Analista de Teste para poder originar os casos de testes, que serão executados pelos testadores.

O que aconteceria se um software não fosse testado?

Como diria um professor meu “coisas horríveis irão acontecer”. Afinal, a primeira pessoa que irá testar o seu sistema serão os clientes e usuários, e caso eles encontrem alguma inconformidade no seu sistema, o que é bem provável pensando num software que não foi testado, eles não ficaram nem um pouco satisfeitos e o preço pela inconformidade poderá ser muito alto, principalmente nos casos em que há multas contratuais.

Além disso, sistemas que não são testados em fase de desenvolvimento, costumam passar uma boa parte da sua vida pela equipe de manutenção e de suporte. Ou seja, o retrabalho gerado por um software não testado é muito alto!

Todos os softwares são testados?

Todos os softwares deveriam ser testados, mas na realidade poucos são os softwares que são testados de forma efetiva. E um dos motivos principais para que haja necessidade de ser testar algo (em qualquer realidade) é o fato que somos seres humanos, ou seja, estamos sujeito ao erro. Afinal errar é humano!

Há muitas desculpas que fazem com que um software não seja testado, dentre as principais estão:

  • Excesso de confiança dos desenvolvedores;
  • Falta de tempo para o Teste de Software;
  • Não há a cultura de realizar testes;
  • Não há pessoas capacitadas para executar os testes;
  • Desconhecimento da importância do Teste de Software;
  • Os custos com os testes não foram colocados no custo do projeto;
  • Etc.

O que é esse tal de TDD?

Comentei no começo do post sobre TDD, uma tendência muito forte no desenvolvimento do software é que já realidade em várias empresas no Brasil e no mundo. TDD é o acrônimo para Test Driven Development, que em bom português é Desenvolvimento Orientado a Testes.

A idéia é bem simples: antes de partir para o desenvolvimento da funcionalidade você irá escrever testes para ela. Isso mesmo, antes de desenvolver a funcionalidade, você irá desenvolver testes que verifiquem e validem a funcionalidade que será desenvolvida.

Daí você pode está se perguntando, mas como eu farei isso? Há alguma ferramenta que facilite esse trabalho?

Há sim, os chamados frameworks/arcabouços xUnit. Eles permitem que você desenvolva testes, chamados de testes unitários, para as diferentes unidades do seu sistema, como por exemplo funções e classes. Além disso, uma grande vantagem desses frameworks é que eles permitem que você execute os testes de forma automática.

Lembra que eu falei que quando você compila você está apenas verificando se o código que você escreveu é compilável, pois então, usando por exemplo o JUnit, um framework para Java, é possível fazer com que ao compilar o seu código os testes que você criou também sejam executados. Ou seja, você também está testando o seu software e ainda de forma automatizada! 🙂

Muitos entusiastas no TDD dizem que os testes automatizados acabam tornando-se uma documentação viva do sistema, e eles estão corretos. Num cenário com testes automatizados, sempre que for necessário realizar uma mudança, ela ser feita com tranquilidade, pois você poderá verificar se a mudança implementada não quebra nada no seu código ou não está de acordo com a documentação, apenas tendo o trabalho de apertar o botão “play” para execução dos testes criados anteriormente.

Mas lógico que para que o TDD possa trazer bons resultados os testes tem que ser bem desenvolvidos, de nada adianta criar um teste que não testa nada. E não pense que usando TDD, você não precisará realizar mais nenhum teste, pois você só está executando os testes unitários, há ainda os testes de integração, sistema e aceitação. 🙂

Conclusão

Testar um software deve ser uma tarefa comum, durante o desenvolvimento do software. Pois é uma forma de aumentar a qualidade do software, a credibilidade da empresa com os seus clientes e maximizar o lucro da empresa. Além é claro, de ser uma das práticas de empresas profissionais, que objetivam entregar uma solução que resolva os problemas dos seus clientes e não uma solução que gere mais problemas para eles.

Além disso, testar não é uma tarefa que deve ser feita só no final do desenvolvimento, até porque, podemos testar antes mesmo de desenvolver. Portanto, devemos buscar usar e conhecer as melhores práticas no nosso trabalho, dentre as quais testar é uma prática essencial. 😉

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7 comentários sobre “Para que testar?

  1. Fabrício, muito didático o que escreveu e vou indicar a leitura aos meus alunos. Já fazem alguns anos que me formei e na faculdade também não ví muita coisa relacionada a teste. Nem mesmo na disciplina de Engenharia de Software(ES), que deveria ter mencionado mais a fundo. Tive que buscar em uma especialização em ES. Mas a questão da nossa área é cultural e cabe a nós, profissionais de qualidade e teste em mudar essa cultura.
    Espero que consigamos fazer com que o Brasil acorde para isso, caso contrário uma nova Crise do Software vai bater à porta das organizações e dessa vez, será muito pior.

    Abraços
    Edwagney

    Responder
  2. Olá Fabrício,

    Muito legal o seu post !!!! 😉

    Muitas vezes no nosso Mundo de Desenvolvimento de Software os stakeholder pensam que o Time de Teste está ali para garantir que o software não tem “nenhum” defeito e esquecem que o Time de Teste está ali para garantir a QUALIDADE DO PRODUTO, ou seja, se todos os stakeholder não desenvolverem o produto com qualidade, não adianta ter um Time de Teste pois isso não irá resolver o seu problema de falta de qualidade do produto, ele só será minimizado.

    Sempre que for desenvolver um software ou qualquer outro tipo de “coisa”, pense na qualidade antes de desenolvê-lo! 😉

    Até+,
    Quezada

    Responder
  3. Legal Fabrício.

    Show de bola o post! Vou indicar a leitura para o pessoal aqui na empresa.
    Para mudar o panorama precisamos de conscientização. É a base para a qualidade.

    []’s
    Antonio Moraes

    Responder
  4. Olá Fabrício, tudo bom?

    Muito legal o post, simples, didático e objetivo.

    Show mesmo… parabéns.

    Sempre temos que lembrar a importância dos testes unitários/integração, muitos desenvolvedores que acreditam em testes, acham que somente os analistas de testes devem testar e esquecem dos testes unitários/integração, e cai realmente no que você descreveu, compilou já posso passar para frente.

    E para falar a verdade existem ainda desenvolvedores que nem compilam, e quando vamos criar um pacote para realizar os testes de sistemas dá erro de compilação… rs… essa consciência de melhor qualidade e menor custo tem que estar embutido em todos os participantes do projeto. Viva o TDD que ajuda e muito nestes testes…. hehehehehe..

    Grande abraço.

    Robson Agapito.

    Responder
  5. Mto bom o post, Fabricio.

    Creio que se todos os profissionais fossem responsáveis o suficiente pra prestar atenção em todos os detalhes e seguir cada etapa, passo a passo sem pular nenhuma, teríamos softwares muito mais confiáveis, com qualidade superior e sem tantas falhas.

    Vou recomendar esta leitura aos meus amigos da área.

    Parabéns!

    Responder
  6. Gostei muito do post.
    Também passei pela mesma dificuldade na faculdade. No 6° período recebi uma proposta de emprego para trabalhar como Testador, nem tinha idéia do que era isto. Porém aceitei o desafio. Gostei tanto da área que resolvi fazer minha monografia baseado em Teste de software. Problemas: Não tinha na faculdade pessoas com conhecimento aprofundado para me auxiliar, Tive que recorrer a internet com pesquisa, livros, post. Mais foi aí que consegui enxergar como esta área é importante e propenso a crescimento.
    Fiz uma pesquisa pela internet e através de questionários nas empresas de TI e percebi que na minha cidade a maioria conhecia o teste apenas como uma etapa no processo de desenvolvimento do software. E que não davam muita importância.
    Resolvi me aprofundar mais na minha pesquisa. Buscando conhecimento de como melhor fazer um teste, quais são as etapas, quais tipos de testes existem; como escrever um plano de teste; casos de testes, etc.
    Hoje trabalho como Analista de teste. Formada há quase um ano como analista de Sistemas e trabalhando quase 3 anos na área de teste. Tenho mais certeza de como o teste é importante em todo o processo do software e que embora este seja fato poucos reconhecem isto e colocam em pratica.

    Responder
  7. Gostei do seu post. Simples claro e objetivo e está bem didático. Testar software é garantir sua qualidade de acordo com o que foi especificado pelos envolvidos (o que o software deve e o que não deve fazer). 🙂

    um abraço
    Ana Ferraz

    Responder

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