Qualidade Sem Nome

Muitas vezes estamos buscando saber o que determinada coisa é e não buscamos saber o que ela deveria ser. Pela complexidade humana, encontramos uma distinção nos sistemas pela qual há sistemas que estão imersos na natureza e outros que não estão.

Pode parecer meio confuso, pois quando falamos em natureza, cada indivíduo faz uma associação diferente com a palavra natureza. Um sistema que está imerso na natureza, seria um que possui poucas barreiras com o usuário, e com o qual o usuário tem uma interface colaborativa, ou seja, que o comportamento do sistema possa reproduzir ou emitir, em certo sentido, o comportamento normalmente esperado de um humano em cooperação com o usuário.

Qualidade Sem Nome, ou Quality Without a Name (QWAN), foi definida pelo arquiteto, matemático e urbanista, Christopher Alexander, no seu livro The Timeless Way of Building, como sendo:

Uma qualidade central que é a raiz da vida e espírito de um homem, uma cidade, uma construção, da natureza. Tal qualidade é precisa e objetiva, mas não possui um nome.

Fugindo dessa definição filosófica, a qualidade central seria como o chassi de um carro: é ele que definirá a qualidade do produto final (carro), não adianta ter um motor potente, ou um bom piloto, se o chassi do carro foi mal projetado.

Alexander, ainda diz que a Qualidade não pode ser fabricada, mas sim gerada, indiretamente, pelas ações das pessoas. Embora muitos ainda pensem que a Qualidade esteja intrinsecamente ligada aos processos, metodologias ou ferramentas, quando na verdade ela está diretamente ligada as pessoas e suas ações.

Aplicando a QWAN em TI, podemos associar ela ao real objetivo de algum programa, ou seja, aos requisitos do projeto. E esses podem está errados, fazendo com que o “chassi” da nossa aplicação fique totalmente prejudicado. Afinal, na maioria das vezes, a falha está no planejamento do projeto e não no desenvolvimento.

E qual o motivo para esse fato?

A verdade é que a Qualidade é traduzida muitas vezes até a entrega final do produto, e durante estas traduções podem ocorrer algumas das seguintes situações:

  • O cliente não conseguiu traduzir corretamente o que ele realmente queria;
  • O gerente teve uma perspectiva diferente da vontade do cliente;
  • Ao elaborar o escopo do projeto o gerente acabou incluindo alguns aspectos que ele achou melhor colocar, pois pela sua experiência eles são essências;
  • O design planejou toda a interface, seguindo o padrão da empresa, não se preocupando com as vontades do cliente.

O conceito de QWAN nos leva a uma revolução, Alexander não apenas tentava achar padrões que explicassem a existência da QWAN, mas também achar padrões que gerem objetos com essa qualidade.

QWAN proporciona uma conexão quase emocional com a estrutura projetada. Proporciona àqueles que interagem com ele um sentimento de completude, de conforto, de sentirem-se vivos. Os artefatos que a possuem são flexíveis, extensíveis, adaptáveis, reutilizáveis, enfim, possuem qualidades que de um certo ponto de vista emulam vida.

Esta definição é demasiada subjetiva para se adequar aos paradigmas atuais de Engenharia de Software. O QWAN opera no nível visceral de inteligência humana e as disciplinas da engenharia almejam o nível comportamental.

Por fim, podemos entender que a QWAN nos fazem evidenciar que o produto deverá fornecer uma sensação imediata de compreensão e afetividade com o usuário. Por isso, devemos colocar o usuário no centro do projeto e sempre estarmos nos perguntando e comprovando se o sistema correto está sendo construído. Buscando a criação de estruturas que são boas para as pessoas e influem positivamente nelas, melhorando seu conforto e qualidade de vida.

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Fonte:

Christopher, A. The Timeless Way of Building, Oxford University Press, New York, 1979.

Valente, E. Padrões de Interação e Usabilidade, UNICAMP, Campinas, 2004. (obtido no site da Biblioteca Digital da UNICAMP)

Lehti, L.; Ruokonen, A. Foundation of the patterns. (obtido no link: http://www.cs.tut.fi/~kk/webstuff/Foundationofpatterns.pdf)

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